"told you" is not enough

>> segunda-feira, junho 14, 2010

Médicos avisam que o aborto é problema de saúde pública 10 Fevereiro 2010
Médicos de vários hospitais do País já não têm dúvidas de que muitas portuguesas não tomam anticoncepcionais ou não usam qualquer tipo de protecção durante o acto sexual, levando a que façam vários abortos.
No entanto, a explicação divide os clínicos: para uns há informação suficiente e as mulheres é que a ignoram, para outros as autoridades têm de fazer mais para que os métodos de planeamento familiar cheguem a mais portuguesas.
Para Nuno Montenegro, director do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de São João, no Porto , a culpa é sem dúvida das mulheres. "A tutela soube tomar iniciativas. Distribui de modo gratuito dez métodos contraceptivos nos centros de saúde. As mulheres sabem disso, não se protegem porque não querem", defende, alertando: "Existe uma total desresponsabilização."
Na sua opinião, o problema passa pela educação: "Fala-se muito dos direitos dos utentes, mas ninguém fala dos deveres. E proteger-se durante o acto sexual devia ser um dever de cidadania"..
Já o ginecologista Pedro Canas Mendes, do Hospital Particular de Almada, lembra os custos que esta atitude traz ao Estado e defende a alteração de alguns pontos na lei: "O legislador devia ter previsto a penalização à reincidência. As mulheres já começam a ver a interrupção da gravidez como um método de planeamento familiar e isso não pode acontecer." Para Canas Mendes, "já se banalizou a situação". Ou seja, "muitas mulheres encaram a interrupção da gravidez com naturalidade, como algo inócuo, sem consequências".

A mesma opinião tem Miguel Oliveira e Silva, obstetra e professor de ética médica, que foi, aliás, uma das caras a favor da despenalização do aborto na época do referendo. Mas hoje admite que "há aspectos que não estão a funcionar bem". "Há situações na realidade da saúde sexual das mulheres portuguesas que a lei permite que funcionam mal. Custa-me pensar que uma mulher fez três abortos às minhas custas e às custas de outros contribuintes", diz, acrescentando: "Acho que devia haver um limite de abortos gratuitos. O aborto recorrente está a tornar-se um grande problema de saúde pública."

Daí que Oliveira e Silva também culpe as mulheres por esta atitude. "Depois da IVG, são obrigadas a ir a consultas de planeamento, mas muitas faltam. Por isso, informação existe, as mulheres é que continuam a ter comportamentos irresponsáveis."

Já Manuel Neves e Castro é mais crítico quanto à actuação das autoridades: "Ainda não há informação suficiente sobre métodos contraceptivos e a que existe não é bem divulgada." O ginecologista sugere a colocação de mais spots publicitários na rádio e televisão e a advertência às portuguesas para que se protejam contra a gravidez indesejada. "A Associação para o Planeamento da Família preocupa-se mais com a liberalização do aborto do que em promover o ensino da contracepção. Nesta área, o seu papel é zero", acusa.

Há alturas em que gostava mesmo de não ter a capacidade de prever o futuro...e nesta problemática tão debatida não me traz nenhuma satisfação nem resolve nada dizer "told you". A minha questão é: que fazer? Que desafios são colocados agora? Algumas ideias?

2 comments:

Fábio Pereira 15 de junho de 2010 às 14:21  

Onde anda agora a propaganda "SIM" a mostrar soluções? Sempre disse que era isto que aconteceria...

Fábio Pereira 15 de junho de 2010 às 14:21  
Este comentário foi removido pelo autor.



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