Ignácio Martín-Baró

>> terça-feira, março 10, 2009


O curso de Psicologia tem sido capaz de me por a sentir os sentimentos mais antagónicos...desde aulas que de tão seca eu desidrato, a outras que parecem o céu...em que às vezes não sei se deva repetir umas quantas vezes o que ouvi, escrever, gravar...porque não quero de forma alguma que essa aprendizagem desapareça da minha memória (como acontece com tantas outras...na verdade a minha memória é um buraco negro....vá lá, quase).
Umas das cadeiras que me tem fascinado é psicologia comunitária. Como? Nunca ouviram falar? Imagino!!!! Porque nem eu tinha ouvido falar antes e é muito recente em Portugal...o professor é genial e consegue desenvolver o nosso espírito crítico a níveis que nunca pensei...só para terem um cheirinho, aqui vai um excerto de um texto que lemos para discutir numa das aulas.
"Talvez a opção mais radical com que se defronta a psicologia centro-americana hoje esteja na alternativa entre uma acomodação a um sistema social que pessoalmente nos tem beneficiado, ou uma confrontação crítica frente a esse sistema. Em termos mais positivos, a opção reside entre aceitar, ou não, acompanhar as maiorias pobres e oprimidas em sua luta por constituir-se como povo novo em uma terra nova. Não se trata de abandonar a psicologia; trata-se de colocar o saber psicológico a serviço da construção de uma sociedade em que o bem estar dos menos não se faça sobre o mal estar dos mais, em que a realização de alguns não requeira a negação dos outros, em que o interesse de poucos não exija a desumanização de todos."

in O papel do Psicólogo de Ignácio Martín-Baró

Para quem não sabe (eu pelo menos não sabia) "Ignácio Martín-Baró nasceu em Valladolid (Espanha) em 7 de novembro de 1942, tinha um curriculum invejável, era jezuita e estava vinculado desde 1967 à UCA (Universidad Centroamericana José Simeón Canãs, El Salvador), visitante de diversas universidades, dedica a sua vida à luta pela libertação em El Salvador, simultaneamente, no trabalho desenvolvido (em especial) com os trabalhadores do campo, e no meio acadêmico, com inúmeros escritos sobre psicologia social e política. É brutalmente assassinado pelo esquadrão da morte da repressão salvadorenha no dia 16 de novembro de 1989."

Fica aqui neste meu pequeno espaço uma homenagem a este senhor, que ainda hoje, depois de 20 anos da sua morte me consegue tocar de uma maneira brutal...fazendo-me balançar ainda mais neste muro onde me encontro e que não tarda muito vou ter mesmo de saltar...o que peço é que seja para o mesmo lado que ele saltou...pela justiça, pelo amor e pela liberdade...e que não sejam meras palavras...que sejam acção, que sejam vida!

2 comments:

Anónimo 31 de março de 2009 às 21:06  

A Psicologia aqui no Brasil e em todo mundo teve em sua história compromissada com as elites! Ainda hoje isso é muito visível, porém temos sinais vivos de atuação e esperança, como Martin-Baró, e também a figura do educador brasileiro Paulo Freire.
abraços!

Anónimo 12 de abril de 2009 às 12:08  

Que bom que mais alguém ama Martín-Baró... Cada pessoa que o descobre se soma a um grupo de novos revolucionários! Venha para a América Latina e saiba como pode nos ajudar! Parabéns pelos escritos! Suelen - brasileira




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