Tempo sem tempo
>> sábado, março 03, 2007
Um renque de árvores lá longe...
Um renque de árvores lá longe, lá para a encosta.
Mas o que é um renque de árvores? Há árvores apenas.
Renque e o plural árvores não são coisas, são nomes.
Tristes das almas humanas, que põem tudo em ordem,
Que traçam linhas de coisa a coisa,
Que põem letreiros com nomes nas árvores absolutamente reais,
E desenham paralelos de latitude e longitude
Sobre a própria terra inocente e mais verde e florida do que isso!
Alberto Caeiro
Lembro-me dos dias em que não sei se eu era a agenda da minha agenda ou a agenda minha! Vivia em função do que estava marcado, do que tinha de fazer, do que estava planeado. Esquecia do inesperado, das coisas...do dia-a-dia. Cada dia era vivido como um número: dia 14 aulas de manhã, reunião de tarde, ensaio, estudo à noite, não esquecer de marcar o ponto, etc. Onde estavam as árvores por onde passava, onde estava a amiga que precisava que a escutasse, onde está o cheiro da terra, onde está o passeio que queria dar, as conversas que queria ter, os amigos, os sonhos que hoje podia realizar...onde está o inesperado do sonho.
Não acho que seja um pensamento inocente de quem não sabe o que é realmente a vida. A vida é aquilo que eu faço dela, é aquilo que eu quero que seja (ou tento)...a realidade aquilo que eu quero ver. Afinal o que é real? O que é real para mim, o vento húmido na cara num dia de chuva na praia, não é o que é real para ti, pelo menos da mesma forma, ...não sentes o que eu sinto, não vês o que eu vejo. O real para mim é o que eu construo do mundo...mas é real. Se assim o é, se eu for a agenda da minha agenda, não tenho tempo para sentir o mundo, sou a máquina...porque não o deixo sentir e, se assim o é, não se torna real para mim. Então quem é que vive a realidade?
Hoje tento ter a agenda organizada, para nunca me esquecer que tenho uma realidade a construir. Que é preciso viver e não ser apenas arrasto.
Um renque de árvores lá longe, lá para a encosta.
Mas o que é um renque de árvores? Há árvores apenas.
Renque e o plural árvores não são coisas, são nomes.
Tristes das almas humanas, que põem tudo em ordem,
Que traçam linhas de coisa a coisa,
Que põem letreiros com nomes nas árvores absolutamente reais,
E desenham paralelos de latitude e longitude
Sobre a própria terra inocente e mais verde e florida do que isso!
Alberto Caeiro
Lembro-me dos dias em que não sei se eu era a agenda da minha agenda ou a agenda minha! Vivia em função do que estava marcado, do que tinha de fazer, do que estava planeado. Esquecia do inesperado, das coisas...do dia-a-dia. Cada dia era vivido como um número: dia 14 aulas de manhã, reunião de tarde, ensaio, estudo à noite, não esquecer de marcar o ponto, etc. Onde estavam as árvores por onde passava, onde estava a amiga que precisava que a escutasse, onde está o cheiro da terra, onde está o passeio que queria dar, as conversas que queria ter, os amigos, os sonhos que hoje podia realizar...onde está o inesperado do sonho.
Não acho que seja um pensamento inocente de quem não sabe o que é realmente a vida. A vida é aquilo que eu faço dela, é aquilo que eu quero que seja (ou tento)...a realidade aquilo que eu quero ver. Afinal o que é real? O que é real para mim, o vento húmido na cara num dia de chuva na praia, não é o que é real para ti, pelo menos da mesma forma, ...não sentes o que eu sinto, não vês o que eu vejo. O real para mim é o que eu construo do mundo...mas é real. Se assim o é, se eu for a agenda da minha agenda, não tenho tempo para sentir o mundo, sou a máquina...porque não o deixo sentir e, se assim o é, não se torna real para mim. Então quem é que vive a realidade?
Hoje tento ter a agenda organizada, para nunca me esquecer que tenho uma realidade a construir. Que é preciso viver e não ser apenas arrasto.
Lembro-me de um dia ouvir um senhor dizer que era feliz porque tinha um apeculiar listas de prioridades na vida:em primeiro lugar estavam as pessoas, depois as coisas importantes e só depois as urgentes.

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